Desafios da maternidades solo

Mães solo somam mais de 11,5 milhões de brasileiras e enfrentam mais riscos e dificuldades financeiras em decorrência da pandemia

Voluntária entregando a cesta básica para a uma mãe auxiliada pelo coletivo. Foto: @imagemsobencomenda


Fome. Essa é uma palavra que assombra muitas mães pelo Brasil. A insegurança alimentar grave (fome) afeta 9% da população – ou seja, 19 milhões de brasileiros, segundo pesquisa feita em dezembro de 2020 pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede Penssan). Se ser mãe é uma luta, essa luta vem em dobro para as mães que criam os filhos sozinhas e ainda têm de lidar com os desafios impostos pela pandemia.


Um levantamento feito pela ONG Rede Nossa São Paulo aponta que 33% das mulheres que moram na capital, o que corresponde a 1.219.438 mulheres, são mães solo. Elas, que já viviam uma rotina muitas vezes de tripla jornada para dar conta da criação dos filhos, do trabalho e da casa, estão em uma situação de ainda mais vulnerabilidade devido à pandemia de covid-19, que e impõe o isolamento social como medida para tentar evitar a propagação. Em 31% das casas sustentadas por elas, já faltou dinheiro para comprar produtos de limpeza e em 35% faltou comida.




Mães, vocês não estão sozinhas

Solidariedade. Essa é uma palavra que ouvimos muito nesse ano de pandemia. Várias pessoas se uniram para mudar a realidade da fome no Brasil. Em março de 2020 o Coletivo de Apoio à Maternidade Solo nasceu no quintal da casa da mãe solo Thais Cassapian, moradora da zona norte de São Paulo. Através de um aplicativo de mensagens, conseguiram tecer uma rede virtual de voluntários que se organizam arrecadando, montando e entregando doações às 120 famílias atendias pelo grupo na capital paulista e nas cidades de Itapevi e Osasco.


“Temos várias pessoas nessa corrente, desde professores, administradores passando por artistas, pessoas de todos os segmentos que foram se sensibilizando e sentiram esse desejo de contribuir e somar. Coletivo eu acho que é isso, somar esforços, cada um dentro da sua possibilidade, cada um fazendo uma parte de todo esse processo e fazendo o alimento chegar até as pessoas que precisam”, diz Thais.

Todo mês, o coletivo entrega um kit com: cesta básica, frutas e legumes, 20 ovos, 12 litros de leite integral, um pacote de fraldas descartáveis (para famílias com bebês) e uma lata de fórmula infantil (para bebês que não estão em aleitamento materno). Além de ajudar mulheres que estão sendo ameaçadas de despejo, com o pagamento dos aluguéis atrasados, na busca por parcerias para mulheres que precisam receber acompanhamento psicológico, na realização de consultorias promovendo o aleitamento materno e na compra do gás de cozinha.


“A nossa intenção é que esse kit chegue até a porta de cada mulher, porque a gente entende desafios que essa mulher teria de enfrentar para ir retirar em algum lugar. Compreendemos também que essa mulher teria, por exemplo, de sair com três filhos de casa, pegar um transporte público, isso quando ela tem recurso pra transporte público, porque eu já ouvi muitos relatos de mulheres que não tinham dinheiro nem para condução”, completa Thais.

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